Bares históricos de Joaçaba e Tangará serão cenários para gravação de documentário-ficcional
O fotógrafo Carlos Eduardo de Carvalho e a escritora Jaqueline Silveira revisitam bares do Vale do Rio do Peixe para contar as suas histórias.
“Bar não é verbo, mas se fosse, seria conjugado no plural”. É a primeira frase que está na orelha do livro Na Beira do Tempo, em que a escritora Jaqueline Silveira e o fotógrafo Carlos Eduardo de Carvalho convidam o leitor a observar a outra margem, a beira, de quatro bares do interior de Santa Catarina. Nesta semana, de 15 a 18 de abril, o projeto ganha um desdobramento no audiovisual: os realizadores pegam estrada para iniciar as gravações de um curta-metragem em formato de documentário-ficcional, em Joaçaba e Tangará, no Meio-Oeste catarinense.
A poesia do livro – suas fotografias e histórias – tem tanto significado que não pôde se conter em suas 120 páginas. Por isso, os autores voltam a campo com uma equipe maior para registrar, agora em filme, duas dessas histórias.
Para esse curta-metragem que começa a sair do papel, as narrativas escolhidas são a do Bar da Iracema, no interior de Joaçaba, em Santa Helena; e a do Bar do Nelson, no Centro de Tangará. Ambos estão localizados na região do Vale do Rio do Peixe, no Meio-Oeste de Santa Catarina, e funcionam em casarões de madeira que têm como anfitriões e protagonistas Iracema Stolfi e Nelson Sthiel.
Os dois personagens-protagonistas revelam o tema central do documentário: a relação entre a permanência da memória e a impermanência da vida. De acordo com Jaqueline, Iracema e Nelson têm suas histórias sustentadas na imagem e na arquitetura dos seus respectivos bares. “A estrutura, a textura, a materialidade e a estética destes bares dizem sobre a geografia do lugar e do seu entorno, mas sobretudo, sobre as subjetividades e a vida deles”, observa.
Carlos Eduardo reforça o quanto é curioso perceber que anfitrião e bar se confundem e metaforizam a força e a fragilidade da vida. “As rachaduras na parede do bar se misturam às rugas e aos vincos nos rostos das personagens, e isso nos encantou desde o início da pesquisa, antes mesmo de imaginarmos um livro e um filme”, diz.

A diretora conta, ainda, que o Na Beira do Tempo se transforma em filme quase dois anos após o lançamento do livro. Se na primeira publicação as histórias desses bares foram contadas pela literatura e pela fotografia, o cinema chega para abraçar essas e outras linguagens artísticas. “O audiovisual oferece esse palco luminoso, essa tela imensa em que Nelson e Iracema merecem estar”, comenta. A proposta é proporcionar ao público uma experiência sensorial desses espaços.
O diretor de fotografia, por sua vez, complementa que o filme pode ser uma chance para conhecer o outro lado do balcão desses bares, ver na tela do cinema um outro lado dessa beira do tempo, uma vez que as histórias serão contadas na voz, no sotaque e na interpretação de Iracema e Nelson. “É a chance de se aproximar ainda mais desses personagens tão cativantes e únicos”, conclui.
Assim como a arquitetura dos bares já fazem parte do imaginário coletivo local, Iracema e Nelson também ocupam a memória afetiva de quem passa ou vive nesses lugares. Não por acaso, ao longo de cinco anos, Carlos carregou sua câmera fotográfica, e Jaqueline seu bloco de anotações ao saírem a campo para vivenciar e registrar bares centenários localizados no Meio-Oeste de Santa Catarina.
A obra tem direção e roteiro de Jaqueline, direção de fotografia de Carlos Eduardo, e reúne histórias relacionadas à velhice, memória, abandono, perdas, vida e morte, elementos que compõem a experiência humana, ainda que nem sempre sejam encarados dessa forma. O filme também aborda os modos de existência e convívio que se constroem no espaço do bar, além da relação de amizade entre a comunidade e seus anfitriões.
Para essa nova etapa, a equipe se amplia: Jana de Liz assina a assistência de direção, Diego Dambrowski a direção de som, Matheus Gabriel Toniato atua como assistente de câmera e Gabriela Borges é responsável pela fotografia still. O documentário Na Beira do Tempo foi selecionado pelo Prêmio Catarinense de Cinema, Edição Especial Lei Paulo Gustavo, 2023.
Assessoria de Imprensa
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